A cirurgia é a etapa mais importante, mas ela deve ser realizada em um, digamos, “momento ótimo”, que é onde a paciente tem as condições de saúde em equilíbrio, tanto físico, quanto mental e emocional.
A forma como o organismo do paciente responde ao procedimento é tão importante quanto a própria cirurgia, partindo disso, percebi que era necessário um preparo mais minucioso, como um zoom sobre a nutrição e o metabolismo.
Encontrei estas respostas na prática médica ortomolecular, que é exatamente uma visão em detalhes da bioquímica, fisiologia e farmacologia, que são matérias básicas da medicina – trata-se de compreender como o equilíbrio nutricional e metabólico pode influenciar o funcionamento do organismo como todo.
Além disso, cursei Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa para permitir o diagnóstico e o preparo em dieta, tratamento de dor e inchaço, que antes não conseguia com os remédios comuns.
Essas áreas fortalecem o preparo e o desempenho de pós operatório da cirurgia plástica, o comportamento da pele, a cicatrização e a manutenção dos resultados ao longo do tempo. Veja que desta forma, fica natural se falar em prevenção de doenças e em longevidade, que são o mesmo objetivo da Plástica: forma física adequada e bem estar!
A cirurgia plástica começa muito antes do centro cirúrgico
Uma consulta pré-operatória não deve se limitar à escolha da técnica cirúrgica ou à definição do tamanho de uma prótese. Ela é uma oportunidade para avaliar o paciente de forma mais completa, e cabe dizer que tudo aquilo que esperamos de uma cirurgia plástica começa a ser construído semanas ou até meses antes do procedimento.
A qualidade da alimentação, a correção de deficiências nutricionais, o padrão de sono, o nível de atividade física e também dos desvios metabólicos, perfil inflamatório, tratar a disbiose intestinal – tudo isso pode interferir diretamente na forma como aquele paciente irá cicatrizar e se recuperar.
Embora a cirurgia plástica seja planejada para alcançar determinada forma física e correção de uma deformidade, a resposta biológica de cada organismo é única. É justamente por isso que pacientes diferentes, que realizam o mesmo procedimento, podem apresentar recuperações diferentes.
Nutrição: um fator subestimado
Um dos fatores que observo, de maior impacto na recuperação pós-operatória é a nutrição. Geralmente encontramos pacientes que se alimentam pouco, fazem dietas extremamente restritivas ou passaram por tratamentos rigorosos de emagrecimento sem reposição adequada de nutrientes e suplementação.
A maioria dos pacientes acredita que está saudável porque perdeu peso, mas, do ponto de vista metabólico, pode apresentar deficiências nutricionais e aumento de marcadores inflamatórios que interferem diretamente na capacidade de recuperação dos tecidos.
A cicatrização é uma atividade biológica complexa e gradual, com muitas variáveis e para que ela ocorra de forma adequada, o organismo necessita de proteínas, vitaminas, minerais e energia suficientes para reconstruir os tecidos que foram manipulados durante a cirurgia.
Por isso, a qualidade da alimentação deve ser encarada como parte integrante do planejamento cirúrgico.
O papel dos micronutrientes
Quando falamos em nutrição, é comum pensar apenas em proteínas, carboidratos e gorduras. No entanto, os micronutrientes exercem funções fundamentais em praticamente todos os mecanismos envolvidos na recuperação.
A vitamina C participa da formação do colágeno, uma proteína essencial para a cicatrização.
O zinco está relacionado a diversos processos de reparação tecidual e resposta imunológica.
O ferro influencia a oxigenação adequada dos tecidos, enquanto vitaminas do complexo B participam de reações metabólicas importantes para a produção de energia celular.
A vitamina D, por sua vez, tem sido cada vez mais estudada por sua participação em processos imunológicos e inflamatórios.
Isso não significa que todos os pacientes necessitem de suplementação. Pelo contrário. A avaliação deve ser individualizada e baseada em critérios clínicos. O objetivo não é suplementar indiscriminadamente, mas identificar situações que possam comprometer a recuperação e corrigi-las quando necessário.
A relação entre inflamação e recuperação cirúrgica
A identificação e controle da inflamação é essencial, e não se inicia com o trauma cirúrgico! Dedos roxos com o frio, inchaço no abdome, irregularidade menstrual, endometriose, foliculite e coceira na parte externa dos braços e o lipedema são sintomas comuns que cruzam com alterações metabólicas graduais e devem ser investigados e tratados conforme a necessidade.
Em meu consultório, comumente as pacientes relatam que enquanto se preparam para a cirurgia, com as suplementações e os cuidados indicados, observam intensa melhora nestes sintomas, como efeito da correção dos desvios metabólicos e nutricionais que os causaram.
Isto resulta em uma cirurgia muito mais previsível, despertar suave, bem estar e melhora da cicatrização e do edema.
Hoje sabemos que fatores como excesso de gordura corporal, sedentarismo, alimentação inadequada, privação de sono e estresse podem contribuir para um ambiente metabólico menos favorável que na prática, significa que o organismo pode não responder da forma mais eficiente aos desafios do pós-operatório.
Alimentação equilibrada, rica em alimentos naturais e minimamente processados, associada a hábitos saudáveis, deve ser adotada e sinceramente assumida como parte fundamental da preparação do organismo para superar o período pós-cirúrgico.
A importância da proteína na cirurgia plástica
Entre uma gama enorme de nutrientes, as proteínas merecem atenção especial, pois fornecem os aminoácidos necessários para a formação de novos tecidos, síntese de colágeno, produção de enzimas e funcionamento adequado do sistema imunológico.
Pacientes que passaram por cirurgia bariátrica, emagrecimento acelerado ou dietas muito restritivas frequentemente apresentam ingestão proteica insuficiente e portanto menor propensão a cicatrização rápida, para esses casos pode ser necessária a avaliação nutricional. Contamos em nosso serviço com nutricionistas funcionais que lhe ajudarão a implementar estes hábitos.
Quando o organismo dispõe dos recursos necessários para se reparar, sua recuperação ocorre de forma mais eficiente, com menos dor e menos complicações como deiscências e cicatrizes com aspecto escurecido ou queloidal.
Cirurgia plástica e hábitos de vida
Aproveito o preparo pré operatório para ajudar o paciente a implementar um novo hábito de vida, que inclui atitude mental positiva – querer estar bem e se cuidar para isto, como meditação e higiene do somo, atividade física regular, suplementação de nutrientes para cada estilo de vida, e alimentação saudável.
Em minha experiência, também a saúde mental afeta os desempenho da cirurgia, e por isso, os melhores objetivos são alcançados quando associamos técnica cirúrgica, planejamento cuidadoso, atenção ao indivíduo e suas vulnerabilidades e foco em beneficiar a saúde como um todo
Como o paciente pretende cuidar de seu pós-operatório, é uma reflexão extremamente importante. A cirurgia plástica não interrompe o envelhecimento, não substitui hábitos saudáveis e não impede as transformações naturais do organismo.
Manter-se bem por anos é um benefício que se observa em pacientes que mantêm uma alimentação equilibrada, praticam atividade física regularmente, preservam um peso estável e cuidam da saúde de forma contínua, com auto estima e qualidade de vida equilibrados.
A cirurgia pode melhorar o contorno corporal, corrigir excessos de pele, reposicionar tecidos e restaurar proporções. Mas a manutenção desses resultados depende, em grande parte, das escolhas feitas após o procedimento.
No final das contas, a cirurgia plástica não trata apenas estruturas anatômicas. Ela faz parte de um processo que envolve saúde, bem-estar, autoestima e qualidade de vida.



